quarta-feira, 13 de junho de 2018

DO FIM, PRIMÍCIAS DE TUDO...


DO FIM, PRIMÍCIAS DE TUDO...

                            
Se tanto cantam, mais dançam; a vida em si, se envolve em contínuo amor...

Corpos sujos; quase não vestidos... E o suor!...
Nos trapos e ornatos de nada;
Uma ou outra concha de mariscos...
Secas sementes, coloridas penas entre ossos e dentes...
Pequenas fantasias ao fatídico tudo-ou-nada.

Ela...
Elegante e bela, dengosa e lasciva;
Ardor em oferente donzela - eis a vida!...
Braços e pernas em lanços, vislumbrado e profuso esplendor!
Seios fartos; buliçosas ancas; inebriáveis viços;
Seduz! Implorado amor.

Eles dançam; Espíritos vadios!...
No bate-tambor, primevo e sacro, se encantam!...
Entre esfalfas harmonias de imagináveis flautas;
Anjos emanados tocam harpas;
 Divinos estribilhos aos atordoados entoam.

A mandinga os embevece;
Requebros à itinerante, augusta lida!
Enfeitiçados nos grilhões da vida, a bela,
no cadafalso eles estremecem;
Embriagados se entregam ao vício!

Trêmulos, luzidios corpos...
Almas evolam do altar, ao imolar dos amantes.
Glória aos espíritos audazes, santos, delirantes!...
Amor em benditas bênçãos celestes à lida.

Onde o infausto, o pérfido, o profano?
Só a triunfante lira induzindo à outra, nova e bela...
Há paz e alegria no etéreo segundo da universal folia;
na catarse em libação divina entre amantes.

Eflúvios à realidade, grandeza à liberdade, ode à alegria!...
Júbilo ao início/fim de tudo, no amor à vida em nova aurora;
Reiterada vitória do prazer alucinante em delírio único;
Ressurreição venturosa...
Mais que a glória, naquele fugaz segundo!...


 Josemar Alvarenga              BH, 12/6/2018.

Nenhum comentário:

Postar um comentário