sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

UMA ORAÇÃO ENTRE AMIGOS

UMA ORAÇÃO ENTRE    AMIGOS...                                                                                             

(Ao Abel Fagundes Fernandes – in memoriam - inspirado em Santo Agostinho)
                                                                                              
Josemar Alvarenga

Não, meu amigo!... Não chore por mim. Não!... Não chore. Somos tão amigos! Para que o choro entre nós, se não for por alegria? Não me permito causar-lhe dor nem aceito que sofra. Pior será se for por minha causa. Se for de alegria, por favor, chore. Do contrário, não. Pois, eu não fui embora...
Só mudei de lado. Eu estou bem situado no outro lado da mesma rua onde você, como eu, mora. Só isso! Então, sorria. Lembre-se e agradeça por nossa amizade.
Você se lembra das alegrias? Dos projetos? Das ilusões e frustrações? Dos amores? Das derrocadas e dos sucessos? Das conquistas?  De toda felicidade dos donos do mundo? Aquilo é vida e não acabou...
Tudo está em nós. Mesmo que eu tenha mudado e agora esteja do outro lado da mesma rua onde você mora, continuo em você e você em mim. Obrigado. Por isso e para isso viemos nessa oportunidade única.
 Então, não chore. Não lamente. Venceu o tempo. Só isso. Ninguém perdeu. Só ganhamos. Só há ganho na rua do sempre; rua de nunca acabar. Nela habitam os deste lado e do lado de lá...
Ganhamos pela vizinhança amiga... Compartilharmos desse divino mágico e único, na mesma rua de agora. No compartilhar dessa rua maravilhosa, está a nossa felicidade sem fim. Por isso, não chore. Exploda de agradecimentos e alegria. É só mais um instante que passa. Tudo se amolda e nos acostumamos com pequenas separações.
Eu agradeço os instantes ao seu lado. Agora, mudei para a vizinhança fronteiriça do outro lado. Só isso!... Não permito você chorar nem lamentar pelo simples fato de eu ter mudado e estar do outro lado da nossa mesma rua.
Nesta rua, tudo que acontece é bom. Só podemos agradecer a oportunidade, não o fato. Lembre-se dos que tentaram e nunca chegaram a partilhar esta rua. Dos que começaram a partilha, iniciando a caminhar se mudaram, passaram para o lado de lá.
Nós continuamos juntos e em aguardo daquele instante, quando outra vez nós estaremos de novo, do mesmo lado, e, partilhando daqui, a mesma alegria desta rua mágica chamada vida... Portanto, não chore. Não lamente. Agradeça. Só isso nos resta da vida; Agradecer.
Obrigado por ser meu amigo, e, lembre-se; eu jamais o esquecerei.
Quando sentir saudades de mim, faça-me uma visita com uma lembrança, um pensamento ou, se puder, uma oração – estaremos sempre perto...
Não deixe nada atormentar a paz da sua vida. Viva a paz e em paz. Viva feliz, tranquilo. Viva como eu estou agora; em paz.  Lembre-se: eu só mudei de lado.

Até o nosso novo encontro.

Um comentário:

  1. Uma presença tão discreta como o Abel deixa uma lacuna tão grande na nossa Sobrames. Senti muito a sua perda.

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