quinta-feira, 9 de março de 2017

Diz a lenda

Diz a lenda...

O criador operava a criação. Quando de um ser, muito, mais se esmerava. Fê-lo forte, vigoroso, tolerante e persistente, imbatível, mágico e, mais que tudo, o mais belo. Deu-lhe, ainda, a capacidade de cuidar, edificar, perdoar, amar e enfim, construir o mundo. Acima de tudo, doou-lhe o poder da sedução e de gerar a vida, com amor. O assistente do divino ponderou: Ó Senhor, isso não é imprudência? Não sobrecarregaste os dons a esse ser? Tens o projeto de outro, seu semelhante. O que sobrará ao outro, de parelha?  O Criador voltou-se ao assistente: Este ser será único na minha criação. Não haverá igual. Nem tentarei fazê-lo. É por ter o projeto de outro, minha imagem e semelhança, que fiz este. Também, como eu, este será muito amado e desprezado, ignorado, mal entendido, motivo de paixões e de ódios, de paz e milagres e também, de guerras. Será muito estudado e não compreendido, motivo de seminários e teorias, de loas, mentiras e verdades, de agradecimentos, reconhecimentos e grandes depreciações. Pois, como eu, terá meus próprios dons. É a partir dele que farei o homem, minha imagem e semelhança. E será objeto de especulação sem jamais ser entendido. Terá nomes em expressão da sua magnitude e tolerância, da sua capacidade de ser como eu e viver entre os homens. Será chamada em Sânscrito, de MARYÁH = a pureza, a virtude, a virgindade; em Egípcio será MRY = amar; em Hebraico será MIRYAM = a senhora, a soberana; também será MARIA = mar de amargura, a forte, a que se eleva, a rainha do mar; em aramaico assírio será MARYAN, derivado das palavras assírias Yamo Mariro =  oceano azedo, oceano ácido. Em Nagô, no Candomblé, será YÊMANJÁ, de, na língua indígena, ser a mesma YARA, no sincretismo religioso, a IMACULADA CONCEIÇÃO = a mãe das águas, a rainha do mar, a rainha da fonte da vida, a protetora das águas e dos homens. Este ser é o mesmo em todos derivados da suposta compreensão desse admirável, infindável amigo em amor. Só ele suportará incólume, todas as vicissitudes da vida e será eternamente MULHER, a MÃE, e, sobre ela se alicerçará toda sociedade humana. Só ela é capaz de mudar o mundo, como se nada estivesse fazendo. A mulher é a mãe do meu filho muito amado; mãe de cada homem, da criança gerada e que nasce dela, do amor gerado para engrandecer a mim e a minha criação. Ela não é a minha filha muito amada. Nada disso. Mas, se fores humilde, de bom coração e atento à vida, compreenderás sutilmente, quem eu sou.

 Josemar Alvarenga

                                                                  
VENDA NOVA/BH, 8/3/2017

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