domingo, 12 de fevereiro de 2017

Uma aula de português

UMA AULA DE PORTUGUÊS

Gê, pequeno comerciante no interior de Minas frequentara o curso primário. Mantinha um retiro com gado miúdo. Aficionado por cavalos, Gê ganhou um Manga-larga-marchador do padrinho e o estabulava em excessivo zelo. O bonito, fogoso animal gerava lucros; vendia suas coberturas. Ao bom desempenho dele, mantinha um veterinário.
Em promessas, Gê levou sua mãe à Aparecida do Norte. Resolveu passar uns dias em Santos. Voltou contando as novidades.  Conversava com o veterinário:
- Doutor, eu conto na cidade e ninguém põe fé. Eles falam; quando eu não acompanho o Ginete, ele esmorece e demora muito na cobertura. Eu perto, ele pega fogo num instante.  Cavalo ciumento. Fiquei quinze dias em São Paulo. Cheguei, fui acarinhar o animal, ele me estranhou. Passarinhou as orelhas e veio de coice. Olha que nunca judiei do Ginete. Quem vê, até parece que eu não se dou com ele.
- Gê, é assim: Quando é comigo, digo: “não me dou”, “não me dei”, “não me dava” primeira pessoa. Quando é com você, diz-se: “não se deu”, “não se dá”, “não se dava” terceira pessoa. Quando sou eu, usa o me; eu me dou. Quando é você, usa o se. Entendeu

- E, o que eu falei? Só por conta de estudar mais um cadinho, gosta de zombar. O que eu falei? Onde o erro, professor? O senhor mesmo está dando a regra. O senhor é me, eu sou se. Então é; “eu não se dou com ele”. Falei certo.


Dr. Josemar Alvarenga / 2017

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