quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CIO; O Início e fim de tudo

CIO; O Início e fim de tudo
                                                    
Se tanto cantam, mais dançam!...
Corpos sujos quase não vestidos,
suor e trapos, ornados de nada,
com uma ou outra concha de mariscos,
algumas sementes secas ou penas,
dentes e ossos pingentes, ao vício.

Gestos dengosos, lascivos!...
Esfuziante e brejeiro suor;
Braços e pernas em lanços;
Coxas fartas, inebriáveis viços;
Lindos seios, requebradas ancas,
da  musa em rebuliços.

Dançam as almas extasiadas!...
Ao som do tambor, primevo sacro;
Entre esfalfas chora a flauta;
Anjos estridulam entoados harpejos
aos divinos meneios e encantos,
nas formas voluptuosas dos desejos
de atordoar o gigante indômito.

A mandinga o embevece;
Quebrantos à augusta vida
do seduzido e grato.
Ora, subjugado...
Fraco e agrilhoado na matrifusia,
cai de joelhos no cadafalso!...

Trêmulos, luzidios corpos,
confundidos com o pó esvoaçante,
que evola do altar, nos sacrifícios,
e incensa a imolação entre amantes;
Glória aos espíritos salazes e
santos em Te-Deum; Benditos!...

Onde o atro, a fumaça, o maldito ou a traição?
Só se sente o além, na triunfante lida...
É só paz e alegria aos desescarmentados,
no eterno segundo da universal folia,
fruto da catarse em libação.

Nada de caos. Nenhum mal.
Só liberdade e alegria!...
Ao divino início da vida decantada que ali se acaba!...
Naquele dia.

Josemar Alvarenga (ao carnaval, BH 20/02/217)

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