quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Um Apelido Sui Generis

UM APELIDO SUI GENERIS

                                                                      

Tempos de camada de ozônio...
Bem nascido de pai, principal advogado da renomada banca da cidade. A mãe, diretora de conceituadíssima escola. Ambos de famílias tradicionais, centenárias e de muitas posses. Habitante de uma das primeiras e principais cidades do estado, palco histórico de um dos movimentos, preâmbulos libertários, anterior aos Inconfidentes. Contudo, não se o sabe; ele nasceu deficiente por não o ter? O desconfiômetro sociológico desregulou? Ou estava quebrado?
Esmerado e também de renome na chatice, desde infante. Enfadonho e exibido em repetitivas referências aos seus teres e haveres e da família; único assunto. Eram milhões para cá, milhões para lá. Homem gargantão e vazio. Atitude de dominá-lo vida à fora. Ele sumiu.  Foi para a capital, à escola de direito. O suposto alívio à turma de tolerá-lo, no entanto, foi pior.
Voltou advogado petulante e muito mais intempestivo na chatice. O carrapato, agora, em citações latinas, inglesas ou francesas e, de vez enquanto, tentava o alemão naquele meio de peões; erudição de patacas. Gostava de se exibir e depreciar seus amigos; pequenos fazendeiros; isso sim e os incomodava.
Formava a roda, lá vinha ele, serelepe e central às atenções. Tomava a palavra quase à muque. Começava sistemático, com suas repetidas piadas sem graça; serviam à sua risada gutural forçada e enfadonha, desmotivadora de outros risos. Depois, o discurso cacete do desinteresse geral desintegrava o agrupamento. A roda se espalhava. Por isso virou Espalha Roda.
No clube, em volta da piscina, uma turma em conversa efusiva recebia um novato inteligente e interativo, com casos intrigantes matando as gentes de rir. Animadas gargalhadas troantes se ouviam, entre goles fermentados de malte interpostos de destilados de cana. Na outra ponta aparece o Espalha Roda, sorriso amarelo do que ele não ouvia nem sabia, mas, demonstrava interesse participativo. Nisso, crítico amigo de infância o vê e anuncia o desastre, em falas entre dentes:
- Acabou a graça; Espalha Roda!...
O novato sem entender:
- Espalhar a roda?... Desculpe se ofendi.
Um terceiro interpõe:
- Não é por sua causa. Lá vem o chato.
Enquanto, outro completava:
- É o Peido.
O apelido ficou e, ainda, polui os ares.

Hoje, já velho, dizem-no principal contribuinte ao buraco de ozônio; Por isso o combatem.

Josemar Alvarenga            CP, 20/01/2015

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