sábado, 28 de janeiro de 2017

O Menino Cor de Rosa

 O MENINO COR DE ROSA

                                              
Era uma vez Maiqueu Jeque na escolinha, assentado num canto; Ria que ria. Sua irmãzinha, a Rhillary ganhou bonequinha loura; Lourinha! Ele se perguntava:
- A bonequinha não é a filinha? Rhillary é pretinha. Sua boneca, Barbie; lourinha de olhos azuis!... Pode?
- Que gracinha!... – exclamavam todos, admirando a boneca.
              Os menininhos lourinhos de olhos azulzinhos, os escolhidos as atividades escolares... Para Maiqueu Jeque e assemelhados, nada sobrava.
A professora da Rhillary estranhou o presente. Comunicou à pedagoga responsável, uma livre docente. Chamaram a mãe da menina para orientar:
- A senhora precisa dar a Rhillary, boneca com a qual ela se identifique; a boneca simula a filha. É lúdico. Pedagógico. Por isso, ressaltar as características raciais da menina, segundo a pedagogia. A bonequinha deve ser negra. Do contrario, pode causar trauma psicológico. Complexo de rejeição de si mesma. Por falta da identificação corporal, racial, dela com ela. E preto é lindo!... – falou a loura perfumada e de olhos azuis.
- Não dei a boneca, não, professora! Foi minha patroa. Ela catou a bonequinha da filha dela, lá. Jogada num canto, à toa. Rhillary precisa de brinquedo de menina. Eu não posso comprar, não!... Mas, nunca vi uma Barbie negra. Rhillary tem uma coleguinha japonesa. Nunca vi uma Barbie japonesa, também!... – falou a mãe da guria.
- Na escola, daremos jeito. Aplicaremos exercício de identificação individual, corporal aos alunos – disse a pedagoga, na oportunidade e no modismo do “politicamente correto” e da sociedade desigual, o que sempre foi. Jesus Cristo pregou contra essa desigualdade há dois mil anos e quase nada conseguiu. Talvez a sapiência atual consiga por fim nisso...
Na semana seguinte, os alunos levados a desenhar como eles se achavam, como se viam, como se sentiam e se pintarem da cor de se verem no espelho.
Foram absolutos: Eurodescente; branco. Afrodescendente, negro. Asiáticodescendente, amarelo. Indiodescendente, vermelho. Brasileirodescendente, cor de burro fugido. Exceção foi Maiqueu Jeque, de se declarar cor de rosa. Ele não era nem tinha tendência homoafetiva.
- De que cor você é, Maiqueu Jeque? Como você se vê no espelho? – Reperguntou a professora.
- Sou cor de rosa - respondeu Maiqueu Jeque.
- Seu colega afrodescendente, é da sua cor. Qual a cor dele? – a professora mostrava o Pelé, de se chamar Uachintão Carlo Junio.
- A dele é preta – respondeu o afrodescendente.
- Você não é igual a ele?  Da cor dele? Olha como ele é negro e lindo! – disse a professora.
- De jeito nenhum! Sou cor de rosa. Veja minha sobrinha Barbie. Minha irmãzinha Rhillary vai trazê-la para a senhora conhecer. Ela é loura, igual à coleguinha Joyce Lucy, aqui da sala e a diretora.  Sou cor de rosa e acabou, professora. Estou muito bem, feliz e agradeço a Deus, a minha cor.                                                                                                               E viveu feliz para sempre...



 Josemar Alvarenga 10/10/16

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