sábado, 21 de janeiro de 2017

CATUABA, CATUAÍBA OU CATUIBÁ e o Viagra Caboclo

CATUABA, CATUAÍBA OU CATUIBÁ e o Viagra Caboclo

Meu caseiro passou-me as artes de catar, colher a Catuaba, enquanto em turma carpia ou batia pastos no Vale do Jequitinhonha. Achei elucidação ao meu pouco deter sobre o assunto. Translado breve pesquisa de supor ao interesse ao conhecimento de quem estuda os usos e costumes do povo brasileiro.
1 - Origem e etimologia da palavra
O dicionarista Clóvis Chiaradia, in, Dicionário de Palavras Brasileiras de Origem Indígena, relata Catuaba do Tupi Guarani. Mas, filólogos contradizem tal língua, por invenção de jesuíta colonizador; ela nunca existiu no Brasil. Existia a língua tupi. Contudo, deixando a discussão tardígrada, Catuaba é palavra indígena: Caá (= planta, folha, mato) + tuã (= taludo) + ibá (= árvore).
2 – No Reino Vegetal
Catuaba é genérico nome popular de plantas nativas brasileiras de algumas famílias:    
2.1 – Erythroxylaceae; família da coca                                                    2.1.2 - Erythroxyllum coca; nasce nas escarpas andinas amazônicas; dela se extrai alcaloides cocaína, droga do Brasil ranquear o segundo lugar          consumidor mundial,  perdendo apenas para os Estados Unidos.                            2.1.3 - Erythroxyllum catuaba; nativo do Brasil, sem nenhum alcaloide ativo da               coca. Arvoredo de flores amarelas e laranjas com pequeno fruto venenoso,     ovalado, alaranjado escuro. Catuaba é estimulante do sistema nervoso central e       afrodisíaco, fator mais difundido em uso.
2.2 – Bignoniaceae: família de árvores, arbustos e lianas; 110 gêneros, 800         espécies, ampla distribuição tropical subtropical. Maiores Gêneros:        Handroanthus (Tapepuias), Arrabidaea, Adenocalymma, Jacaranda.
3 – Princípio ativo
Catuaba é estimulante do sistema nervoso central, com três alcaloides; Catuabina A, B e C, também afrodisíacos, estimulantes sexuais. Uso popular ao combate da agitação, nervosismo, dor neuropática, perda de memória. Predomina em combate da impotência sexual.
 4 – Do achado na natureza
Catuaba é encontrada como arbusto folhoso ao olho atento do catador. Toma-se a uma de suas folhas e se a amassa como um papel nas mãos. A “memória do material” faz com a folha se comporte como mágica; ela revigora. Amassada, deformada, ela volta ao estado inicial, como se nada tivera acontecido. Ela se recupera na sua forma integral como a mim disse o catador, motivo deste escrito. A folha endurece lenta e progressiva, se armando nas mãos de quem a amassou, engrossando, endurecendo sob seus curiosos olhos de espanto. Daí, a especulação e uso como restaurador, revigorador com os mais diferentes nomes ou apelidos; catuaba, catuaíba, catuíba, anjo da guarda, companheira, levanta hipoteca, levanta pau, assanha perereca, estimula a perseguida e outros adjetivos populares.
5 – Efeito orgânico
Da Catuaba observou-se o efeito afrodisíaco, inicial para o homem e depois, para ambos os sexos. O uso afrodisíaco é o mais comum e anterior, indígena transferido ao colonizador. Pesquisa laboratorial (USP/SP) confirmou presença às catuabina A, B e C com ações farmacológicas no sistema nervoso central, como estimulante e afrodisíaco.
6 – Do preparo da beberragem
Usavam-se as folhas e talos em infusão, inicial, de água quente ou maceração em água à temperatura natural. Com a colonial cachaça e a prática que levou ao conhecimento do álcool no arresto das essências vegetais, passou-se a essa prática, servindo para tal a aguardente.
7 – Uso da beberagem
 A Cachaça com Catuaba para fins afrodisíacos é servida em dose como aperitivo no almoço e jantar e para propiciar sono tranquilo, uma dose ao deitar ou o chá, nessa hora de descanso e também de excitação. Pela similitude fálica, a busca principal por ora, é pela infusão alcoólica com a endurecida raiz do arbusto, depois de arrancada, colocada dentro da cachaça onde permanece em infusão até esvaziar o frasco.
7 – Hábitos de uso
Além do Pau do Quati, Pau da Anta, Pau do Boto achados nos mercados de garrafadas deste Brasil; daqueles membros as raspas eram e ainda usadas como afrodisíacos de levarem a morte muitos animais caçados para esse fim, inclusive em ameaça de extinção ao Tapir e ao Boto do Amazonas. A impotência sexual sempre foi queixa e tabu nas mais diversas sociedades. Hábito do uso de afrodisíacos é tentativa ao revigorar sexual difundido desde as culturas mais antigas. A Catuaba é conhecida em todo Brasil tropical e subtropical como garrafadas, de início. A indústria captou o essencial. Industrializou a Catuaba à distribuição nacional nos bares das esquinas. Além do pileque se vende a grande dedicação aos fins afrodisíacos e não mais, ao meu pouco conhecer sobre o vasto e intrigante assunto. Antes do farmacêutico e industrial Viagra, Catuaba era o principal, mais difundido e popular levanta cacete no Brasil, servindo até de blagues em motes à literatura, poesias e a MPB de a citarem. A Catuaba reinava com seus grandes e decantados méritos afrodisíacos.
8 – Conclusão; Recomendação ao uso do Viagra mais antigo...
Segundo o meu caseiro, já maduro, casado pela segunda vez e hábil cortesão. Foi quem me motivou este escrito:
- Na verdade, esses remédios são desnecessários. Tudo ilusão, perda de tempo e dinheiro. O bom mesmo para impotência do homem é o Viagra dos Antigos. É só saber usar.
- Qual é esse Viagra dos Antigos? Nunca ouvi falar.
- O homem só tem que olhar a indicação e duas qualidades de observada e seguir; conferir se não estão vencidas. Se tiver vencida é peta. Não é simpatia. Seguindo a regra, dá certo. Do contrário, não faz efeito.
- Mas, qual é o Viagra dos Antigos e quais são as qualidades?
- É só seguir a regra que, não falha. O Viagra é a mulher com as qualidades; nova e bonita. Não falha mesmo. Pelo menos, comigo, eu não posso reclamar. Nunca falhou.
De fato, Neco, outro do tipo e popular curvelano decantava:
- Eu casar com mulher velha e feia? Sou bobo?... O que gasta a mulher velha e feia gasta a mulher nova e bonita. Eu fico mais bem servido.
Então, para os sabidões ou mais ousados, fica a dica da ciência e filosofia popular..

Josemar Alvarenga


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