quinta-feira, 31 de março de 2016

HOLLYWOOD EM CORONEL FABRICIANO

HOLLYWOOD  EM CORONEL FABRICIANO

Nenhum filme de ação proporcionou-me  o  espetáculo que presenciei no quintal de minha casa em Coronel Fabriciano.
            Uma das empregadas veio, muito nervosa, comunicar que tinha uma cobra enorme no vaso de plantas.
            Minha mãe era  corajosa e enfrentava qualquer parada, com exceção de sapos e pererecas. Aí ela perdia a compostura.  Dessa vez ela viu que o páreo seria duro e arriscado e mandou chamar o Alberto, que estava varrendo o   pátio .
Todo mundo correu para ver o espetáculo, conservando prudente distância.
Eu me coloquei em posição privilegiada e segura em cima da escadaria.
            O Alberto chegou com um cabo de vassoura, tomou pé da situação e, cautelosamente, cutucou a cobra que parecia estar dormindo, bem enrodilhada no vaso. Provavelmente tinha vindo durante a noite,  pois   passara desapercebida, apesar do tamanho.
            A bicha deslizou e partiu, aos botes, para cima do Alberto, que passou a  tourea-la.  Desvia daqui, dá paulada errada; desvia de lá, dá paulada  certeira que torna a cobra mais furiosa, sem matá-la. Nosso Indiana Jones lutou bravamente  até conseguir matar  a invasora peçonhenta que, mesmo depois de considerada morta, ainda se mexeu, tentando dar botes. Minutos se passaram até que ela ficou inerte, deixando ver toda a extensão do seu metro e meio.  Foi identificada como uma espécie de alta  periculosidade.
            A plateia respirou aliviada, mas ninguém bateu palmas para o herói que, depois de jogar a cobra bem longe, no mato, continuou varrendo o chão.

Nilza Lentz

Belo Horizonte, 28 de dezembro de 2015

Nenhum comentário:

Postar um comentário