quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Do Laringo, Ambú e Assemelhados

Do Laringo, Ambú e Assemelhados



 

Há acordo das gentes quanto à importância do laringoscópio, do ambú, dos tubos endotraqueais e outros apetrechos utilizados no ato de salvar vidas, mas o mesmo não ocorre quanto à funcionalidade desejada. Há também uma assertiva de ordem sobre quem inventou esses equipamentos essenciais à reanimação cardiorrespiratória, e muitas teorias se sobrepõem.
O laringoscópio é aquele apetrecho, em forma de L, com uma luz na ponta, que se enfia na boca do moribundo, a fim de visualizar a entrada da laringe, e, assim, introduzir-lhe o tubo endotraqueal goela abaixo. Já o ambú é uma bolsa de borracha ou silicone, contendo válvulas e conectores, utilizada para inflar o ar oxigenado no pulmão do agonizante, via máscara facial ou via tubo endotraqueal, com preferência para esta última. O monitor é de mais fácil compreensão, pois é um televisorzinho que, conectado ao peito desvanecido, mostra o fuzuê cardíaco.
A reanimação cardiorrespiratória e neural é apanágio recente na ciência médica, não tendo completado um século de existência. Consensos internacionais, como o ACLS (American Cardiology Life Support), o ATLS (American Thoracic Life Support) e o BLS (Basic Life Support), entre outros, encontram disponíveis para orientar o suporte à vida em condições ótimas ou adversas.
Cumpre aos médicos e auxiliares dominarem todos os meandros da reanimação, embora alguns passem pela vida sem utilizá-la, enquanto outros se enveredam no insucesso, quando diante da morte iminente, e jamais ficam sabendo. Os profissionais da saúde podem ser divididos em dois grupos: os que aceitam os desfechos e os, ansiosos, aflitos e guerreiros, que se suplantam a cada dia.
Quem lida com os instrumentos de suporte à vida sabe bem que eles sempre falham quando mais se precisa deles. Na prática, testa-se exaustivamente o laringoscópio antes de acomodá-lo pronto para uso, mas no momento da intubação de urgência, quando uma vida corre risco, ele se nega e embrenha-se na escuridão, premonitória do inferno. Costuma-se dizer que é o problema do osmar – “os mar contatos”. Outras vezes, após testar as pilhas, algum endemoninhado acredita que as colocando ao contrário evitará que se descarreguem.
O ambú, por sua vez, em especial os modernos, tem cinco válvulas, uni ou bidirecionais, que são desmontadas e montadas a cada uso por auxiliares, atentos, débeis e possuídos.
Quanto ao tubo endotraqueal, que deveria ter seu balão previamente testado, por via das dúvidas é sempre re-testado antes da intubação. Com os diabos! Não é que, após tudo, costuma apresentar vazamentos de obscura origem.
No que tange aos monitores cardíacos, seus problemas, quase sempre endiabrados, são dignos de ocorrências policiais: problemas de furto de energia, traçados aloprados,  eletrodos soltos, pastas mal-condutoras e cabos fraturados.
Face ao exposto, interessa retornar à questão de quem os inventou. Após revisão esgotante da literatura especializada, consegui identificar claramente esse personagem oculto. Trata-se de um anjo rebelde. Melhor seria dizê-lo, de um anjo torto.
Os problemas começaram com a briga, que fechou o clima do paraíso, entre Deus e seu anjo braço direito, felizmente expulso do céu. Já alcunhado, lúcifer resolveu pentelhar a vida dos vivos e de todos que trabalham por preservá-la.
Espero ter clareado aos leitores o porquê desses instrumentos não funcionarem quando mais se precisa deles. A apresentação da causa, e de seu devastador efeito, demonstra cabalmente a minha teoria sobre quem é seu real inventor e seus nefastos motivos. Jamais duvideis de mim ou caireis nas trevas.
Conhecimento inútil, vós vos direis. A princípio sim, todavia mostrar-vos-ei que não o é e, ainda mais, ensinarei o modo como deveis proceder nessas circunstâncias.
Incomodado durante anos, após vidas e mortes, acolhi para mim sonhos e pesadelos, frutos de comemorações, mas também de agonias e desesperos. Por fim, intentando desfalecer tais incômodos, alcei o insight de elaborar um plano alternativo, substancioso e eficaz, protegido do satanás.
A base teórica denota fácil compreensão. Como é da conhecença de todos, o demo consegue saber dos nossos atos, aquilo que mostramos ser, que sai da nossa boca e transparece de nossos poros, mas jamais consegue penetrar na nossa mente, guardada pelo anjo custódio de cada um.
Uma vez diante dessas situações, nas quais uma vida depende de nós, torna-se imperioso ouvir os conselhos soprados aos nossos ouvidos para decidirmos sobre o que fazer. A grande problemática está em distinguir os mísseis que vêm do coisa-ruim. São idéias de boas aparências, em especial, se acobertadas por parco conhecimento médico.
De saída o referido plano, inteligível e bastante simples, baseia-se no fortalecimento do anjo da guarda, o do bem.
De pronto há que alimentá-lo continuamente!…
Aos livros queridos discípulos!  Aos livros…


Prof. José Carlos Serufo

Nenhum comentário:

Postar um comentário