sábado, 12 de julho de 2014

Como Construir uma Grande História

Como Construir uma Grande História

Olá Amigos do Blog, hoje vamos trocar algumas palavras, sobre os conceitos básicos e pré-requisitos para se escrever uma grande história.
De início, posso lhes assegurar que escrever um livro não é pegar seu primeiro manuscrito e sair postando pelo correio ou e-mail para todas as editoras que você encontra pela frente.
Qual foi o autor que nunca pensou: “Minha vida daria um livro!”.
Concordo plenamente que a vida de qualquer pessoa daria um livro. Até a vida do meu cachorro.  Agora temos um ponto muito importante a ser discutido, que será o diferencial de um dos diversos quesitos para a aceitação ou rejeição por parte das editoras.
Imaginem uma biografia de um sujeito que nasce no interior de Minas Gerais e que com muito estudo consegue se formar em engenharia civil. Me permito ir mais longe. Imagine agora o irmão desse mesmo indivíduo que conseguiu se formar em direito e tornou-se um renomado desembargador. 
Agora imaginemos outra situação. Você está remexendo em seu velho baú e lá você encontra a estória de sua bisavó, que quando criança, viveu no campo de concentração Auschwitz e na estória ela conta tudo o que vivenciou – desde a morte dos irmãos, dos pais  -  e pior, um dos oficiais nazistas se apaixona por ela e para preservá-la a coloca para ter que incinerar diariamente os corpos dos judeus que eram assassinados. Dentre os corpos ela sempre encontrava um parente, um professor, um amigo e a única forma para ela sobrevivesse seria se entregar aos prazeres do oficial, só que ela descobre que o mesmo oficial incinerou “vivos” seus pais.
Agora lhes pergunto. Se a editora fosse sua e é claro, editora são empresas que para sobreviver precisam de lucro. Qual das estórias que você acha que mais venderia e qual delas você aceitaria publicar?
Pois bem, editoras sérias recebem muitos, mais muitos originais – quando digo original, digo um livro pronto -, com estórias sem consistência, e pior... O escritor quando se depara com a recusa – e sabemos que essa resposta demora muito -, quase perdem a cabeça, criticam a editora ou o editor, dizendo que eles não sabem o que estão perdendo e por aí vai.
Mais quais são os principais elementos que constroem uma boa estória? É isso que vamos discutir aqui.
Eu sempre comparo escrever um livro como uma partida de xadrez. Há aqueles escritores que estão apenas começando a aprender a mexer as peças de um tabuleiro de xadrez e saem cantando aos quatro ventos: Eu sou escritor. E a veemência obsessiva é tão grande, que, para quem assiste de fora, chega a pensar que até Dan Brown teria inveja deste sujeito. Mas na verdade ele apenas sabe mexer as peças e não conhece as regras do jogo. Eu jogo xadrez desde meus 9 anos de idade – digamos que mais ou menos há 30 anos - e confesso que não considero mestre e tampouco expert em xadrez, mas lhe garanto que os conhecimentos que adquiri, sou capaz de causar muita dor de cabeça ao meu s adversários e isso me põe na frente de muitos, mas de muitas pessoas que dizem por aí que sabem jogar xadrez.
Escrever um livro é o mesmo. Vamos entrar um pouco na parte tática da escrita. Ah, você se surpreendeu? Claro, da mesma forma que o xadrez, escrever um livro exige estratégia, tática, planejamento e outras ferramentas que iremos discutindo mais adiante.
O primeiro chamariz para seu leitor, chama-se impacto emocional. E isso é forte! É o que irá amarrar seu leitor durante toda a sua estória para que saiba o que é que irá acontecer no final.
Em meu ponto de vista, um livro com um dos maiores impactos emocionais que já conheço é A Cabana, do autor best seller William P. Young. Nela o impacto emocional é história de um pai que perde a filha assassinada por um psicopata e tem a oportunidade de digamos que, acertar as contas, nada mais, nada menos do que com Deus, com Cristo e por aí vai.

Outro livro que posso citar é O Guardião de Memórias, da autora Kim Edwards – e confesso que achei a leitura muito difícil, mas o impacto emocional da estória me fez colar no livro até chegar na última página. Nesse livro narra a história de um pai - médico -, que ao fazer o parto da esposa descobre que tem gêmeos, sendo uma das crianças – uma menina – é portadora de Síndrome de Down. Diante disso ele dá a filha para a enfermeira desaparecer com a criança e esconde este grande segredo da própria esposa e você leitor irá ficar amarrado até o final do livro para saber o que aconteceu ou irá acontecer. O impacto emocional, nada mais, nada menos aguça a curiosidade de seu leitor. Esse é um dos primeiros diferenciais de uma história bem construída, que lhe prenderá até o final, e de uma estória que muitas vezes você será obrigado a ler, pelo simples fato do autor ser seu amigo. O impacto emocional é um dos principais pilares de qualquer livro: "A Emoção", e lhes asseguro que um bom escritor, com um livro com menos de 100 páginas é capaz de saber emocionar seu leitor. Não acredita? Então leia o velho e o mar de Ernest Hemingway ou A Hora do Lobisomem de Stephen King. É claro que o impacto emocional é um dos primeiros alicerces para construirmos uma boa estória. Também temos que ter personagens bem construídos – com seus respectivos pontos emocionais meticulosamente elaborados­ -, diálogos bem estruturados, um cenário cujo autor conheça melhor do que a palma da própria mão; uma boa narrativa e de outras técnicas que iremos abordar cada uma a seu devido tempo. E lembre-se, um leitor não interessa pelo seu nome escrito em letras garrafais na capa dourada de seu livro, mas sim pelo conteúdo de sua estória. Agora, se seu conteúdo já começa com excelente impacto emocional e respeita as técnicas de escrita; meu amigo, lhes asseguro que seu leitor irá admirá-lo e colocá-lo no hall da fama pessoal como um dos melhores escritores que ele já conheceu. Quanto a crítica, não se preocupe. Eles sempre darão um jeitinho de encontrar uma falha. Mas lembre-se de que você jamais agradará a 100% de seu público alvo. Se conseguir 60% já estará trilhando um maravilhoso caminho. Forte abraço a todos!

Hermes M. Lourenço



Texto extraído do blog A Arte de Escrever com consentimento do autor http://hmsfenix.blogspot.com 

3 comentários:

  1. Caro Hermes
    Você que tem a arte de escrever, tem ainda que trilhar os caminhos tortuosos, um tanto misteriosos e, mesmo, imprevisíveis para chegar ao público e ao sucesso...

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  2. Caro Hermes
    Você que tem a arte de escrever, tem ainda que trilhar os caminhos tortuosos, um tanto misteriosos e, mesmo, imprevisíveis para chegar ao público e ao sucesso...

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    1. Obrigado Dr. Serufo. A propósito, excelente seus textos! Forte abraço!

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